quinta-feira, 24 de maio de 2018

E os tomates? Perguntaram vocês...

Os tomates não estão espadaúdos e resplandecentes mas tem folhinhas novas a crescer... então vamos ter um pouco de fé e acreditar que vão prosperar. Começo a duvidar das minhas capacidades... não faço ideia se precisam de mais água ou se está bem assim...



E a corrida de Alverca?
Depois de um imprevisto e ter ficado sem par na véspera, puxei pela cabeça e arranjei um substituto, que prontamente se disponibilizou não só para correr os 10 km (coisa que não faz habitualmente, essa coisa de correr) como para levar ele o carro, estas às 8:15h de domingo na minha casa e ainda ir almoçar um grande costuletão comigo. Se não é meu amigo, não sei o que é.
Só por curiosidade conheci-o através do instagram. Para a maioria das pessoas isso soa a uma coisa estranha. 

Como é que eu hei-de correr rápido com uns presuntinhos destes? Ah?




Para uma pessoa que não corre, o meu amigo corre é muito, porque puxou por mim o caminho todo. E graças a ele os meus primeiros 6km foram feitos a uma velocidade acima da média, para mim, ao passo que nos últimos 4km me arrastei, literalmente, por aquelas pistas da OGMA... meu deus que calor imenso nos pés, valeu-nos o camião dos bombeiros a deitar água! Nunca gostei tanto de "andar à chuva".

Resumo: Bati novamente o meu record pessoal (tinha sido em dezembro passado), daí a minha cara de felicidade e o costuletão acompanhado de umas cervejas e sobremesa. Além disso, tirei 5 minutos ao tempo do ano passado na mesma prova...

Obrigada N. mais uma vez por me obrigares a ir fazer esta corrida!

Para o ano diz que vou ter companhia nesta prova... vamos ver não é Agridoce?

p.s. - ando a arranjar tempo para escrever sobre Marrocos.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Conversas paralelas e um restaurante novo

Ontem, fui correr 30 minutinhos ao ginásio (começamos a diminuir o tempo que Alverca está mesmo aí). Fiquei contente que não sofri. Meia hora a correr, a 9,5km/h, não é super rápido mas pra mim é bom, e cheguei ao fim sem cansaço nas pernas. Se eu treinasse o ano todo como estas duas últimas semanas era uma corredora a sério!
O problema é que pra treinar assim corrida não consigo fazer os meus 4 treinos de musculação semanais... óbvio! E a gente tem de fazer mais o que gosta, não é...

Deixei-me trabalhar até mais tarde [ainda não estou habituada ao horário de verão com sol até mais tarde], atrasei o treino, atrasei o banho porque me pus na conversa com o treinador enquanto alongava, ou seja, saí do ginásio sem secar o cabelo, qual flecha para o seu alvo. Entrei no carro na mate e fomos jantar a Miss Jappa no Príncipe Real.


Sentamo-nos, escolhemos a comida e ela diz: O que bebemos?

Alcoól - respondi eu.

Mate - Alcoól? Estava a pensar mais em chá.

Eu - vinho.

Mate - ok, então só um copo para cada.

Eu - Já sabes que quando pedimos só um copo para cada, acabamos por pedir o segundo e já sabemos que compensa pedir a garrafa...

Mate - E vamos beber uma garrafa toda?

Eu - ...


Pedimos a garrafa, "bem fresca senão não presta" - dizia ela ao empregado - "e uma manga não tem?" - E ele disse-nos que não e foi embora. Eu já ia comentar que não era muito simpático, mas ele voltou com um frapé e a dizer "com este calor isto é melhor que manga". 
Fomos comendo as peças ótimas [mas minis] que pedimos. A nossa conversa é sempre muito animada. Por isso é que a mate é a mate, porque embora seja muito diferente de mim compreende-me perfeitamente e a nossa conversa tem muito de sintonia.
Liga-me o comissário de bordo. Não atendo mas mando foto das duas (embora ele não a conheça pessoalmente ouve falar muito dela e vice-versa).
Mandou mensagem de voz:

"Não vou comentar... Senão ias dizer que eu sou um porco."

Sei bem o que ele pensou e contém o número 3.


Adiante.
Acabamos de comer. Era tudo muito bom, mas ainda tínhamos fome... mandamos vir mais um.
Nesta altura já o empregado nos despejava o que restava do vinho nos dois copos.
Comemos o último prato. Acabamos o vinho.

Empregado - Então, gostaram do último?

Mate - Sim, gostamos, mas era muito maçudo.

Nesta altura desmancho-me a rir. Mulheres do norte são assim, dizem o que pensam.

Empregado - Então e sobremesa? 

Nós - Sobremesa não queremos.

Empregado - Então e se eu trouxer outro prato? Um que nem está na carta...

Mate - Mas está a oferecer ou vamos pagar? - imaginem eu a rir muito.

Empregado - Se não está na carta e digo que vou trazer então é oferta para voltarem cá mais vezes.

Eu - Mas já não temos vinho, vamos comer a seco...

Empregado - Eu trago mais um copo e dividem.

Mate - Não, traga um copo para cada - pra quem queria chá... mas é como diz o comissário, as mulheres do norte sabem beber em quantidade.


Resumo: Uma garrafa mais dois copos, 4 pratos, um empregado simpático, um prato fora da carta, duas miúdas bem dispostas e uma conta de 63€. Não foi barato, mas foi muito bom. Japonês clássico mas moderno, nada de fusões que por acaso não gosto. O espaço é muito agradável e estava cheio!
Nem tirei fotos à comida. Mas vejam no zomato
Vale a pena experimentar para quem gosta do género.

Já tinham ouvido falar? Já lá estiveram? O que acharam?

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Não sei se ria, não sei se chore [cenas hilariantes da minha vida]

Antes de ir de férias, umas semanas antes, plantei tomates cherry, de umas sementes que sequei no verão passado. Tinham sido de uns tomates caseiros que me deram e que eram tão bons que resolvi guardar as sementes, na eventualidade de me estrear como agricultora de varanda.

Sabia que era por volta de fevereiro que se plantava, mas só me lembrei já no final de março. Consultei na internet e percebi que ainda ia a tempo. Siga! Plantei e nem me lembrei que a 20 de abril ia pra Marrocos e ia deixar os meus rebentos sozinhos tantos dias.
Vai daí, nomeei duas pessoas (além da minha empregada) para me virem cá a casa regar os ditos cujos. Tudo corria bem, à excepção da empregada me ter faltado à primeira rega e por isso ter tido de pedir aos reforços uma substituição.


Um dos reforços é um amigo meu que se auto-intitula de psicopata e doente mental. Eu diria mesmo que ele é só ninfomaníaco.
E de onde é que eu conheço tal ser? 
Ora bem, corria o ano de 2010, meu primeiro ano de Lisboa, onde vivi numa casa com mais 6 miúdas. As princesinhas do Salitre, como gostávamos que nos chamassem. Duas delas eram italianas (estas) e portanto vivi esse ano como se fizesse erasmus em Lisboa, com elas. Numa noite de junho, está agora quase a fazer 8 anos, numa saída, conhecemos um comissário de bordo. Na altura rolaram uns beijinhos, mas com tanta volta e viagem desta vida nunca houve mais nada. 
Ao longo destes 8 anos fomos trocando mensagens esporádicas. Fomos sabendo mais ou menos da vida um do outro e chegamos a ir tomar uns cafés... Na verdade já não o via pra'i há 2 anos quando resolvemos marcar novamente um encontro. Fomos lanchar só isso!
Resumo desta conversa toda: farto-me de rir com a maluqueira dele, tem-me feito companhia quando não tenho que fazer e eu a ele quando voa para o estrangeiro e não tem com quem falar. 


  Quando lhe pedi para regar o tomateiro pensei que ele seria capaz de o fazer sem provocar o caos. Só que não.
Estava eu em Marrocos e recebo mensagem da minha empregada. Dizia assim:

"Olá L. das Horas fiz a sua cama de lavado, estava lá um papel escrito, voltei a lá pôr. bj"

Imaginando o pior cenário possível respondi:

"Olá! Fez bem! Não faço ideia o que era, mas imagino que tenha sido o meu amigo que me vai regar os tomates que o tenha deixado... e de certeza que é uma parvoíce qualquer que ele não tem muito juizo. Eu só volto no próximo domingo. Obrigada! Beijinhos"


Só para concluir este assunto, óbvio que o bilhete continha teor pornoerótico...

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Ando a correr...

E enquanto ponho o trabalho em dia (não sei se foi por ir de férias ou se é por estar a chegar o verão mas o trabalho é tanto!), faço posts sobre Marrocos (que demoram horas...) e acabei um livro e comecei outro, ainda tenho tempo para andar correr, literalmente, atrás do prejuízo.
Atentem:


5 séries de 5 minutos a 10,5km/h 

É verdade, fui de fds para o norte e corri debaixo de chuva. Quem és tu, miúda???

 5 séries de 5 minutos a 10,5km/h 


Limito-me a cumprir o que o meu treinador me prescreveu para 2 semanas de treino antes da 4ª Corrida Cidade de Alverca.

[no site da corrida está lá o tempo a contar para o início... confesso que acabei de cair em mim... menos 3 dias e umas horas? omg, ainda tenho de encaixar um treino de 40 minutos e um de 15/20minutos com alongamentos para a véspera... MEDO]


E porque a minha vida não é só Marrocos...

Na última quinta feira tomava banho no ginásio, depois do meu treino de séries de corrida (graças ao N. ando a correr em contra-relógio para, pelo menos, não morrer na Corrida Cidade de Alverca).
Não estava a pensar em rigorosamente nada. Estava simplesmente a lavar o meu cabelo quando de repente...

Fez-se luz nos meus pensamentos e tive um momento de clarividência!

"Se já decidi que vou fazer dupla mastectomia (pasme-se quem ainda não sabia) porque raio não hei-de a fazer já em vez de daqui a 2 anos no final do tratamento hormonal?"


Vim para casa a pensar naquilo. Porque raio meti eu na cabeça que haveria de ser só depois de acabar a medicação diária que faço? Isso seria prolongar ainda mais as coisas. Se fizer durante os dois anos que ainda me faltam poupo tempo. Quando acabar a medicação já a operação e a recuperação passaram. Além disso, agora que estou sozinha é a altura ideal para "tratar" das minhas coisas e não ter de sobrecarregar alguém de futuro. Digo eu.
 Liguei à minha mate. Contei-lhe da luz.
Respondeu-me:

"Mas como é que não nos lembramos disso antes?"


"Sei lá - disse eu - acho que quando decidi ainda não tinha assim tanta certeza, então atirei o mais p'rá frente possível."


Lá vou eu bombardear o meu médico mais querido com e-mails.
Pelo sim pelo não mando-lhe fotos de Marrocos.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Marrocos [parte 4]

Dia 3

Eram 8h da manhã e deixávamos Chefchaouen. 
Pela frente estava uma viagem de 4:30h até Rabat, onde dormiríamos as próximas duas noites. No plano inicial um dos dias em Rabat estava em aberto, com possibilidade de irmos num saltinho a Casablanca, de comboio. Assim fizemos.

Era hora de almoço e chegamos a Rabat. Sabíamos que da gare dos autocarros até ao nosso Riad era necessário apanhar táxis e o que tínhamos lido na internet, é que dentro da cidade é sempre melhor andar com taxímetro, pois fica mais barato do que o preço que os taxistas querem acordar à partida. Depois de alguma discussão lá os convencemos a usar o taxímetro (ao que eles chamam qualquer coisa como "miter" - será que vem de metro em inglês? - é uma palavra importante a reter).

Mais uma vez, e como foi nosso hábito nesta viagem, voltamos a ficar alojados dentro da Medina. Em Rabat, talvez por ser uma cidade menos turística, havia menos escolha nos Riads, logo, o preço também era mais elevado. Como um de nós tinha um vale de 100dólares no airbnr, optámos por descontar no valor deste alojamento. 

Como as Medinas não têm, por norma, trânsito automóvel, fomos de novo deixados numa Porta, a Bab El Had. Andamos quase meia hora às voltas a tentar encontrar a rua onde ficaríamos. O sol batia de chapa e as mochilas ainda pareciam mais pesadas. Rabat está, neste momento, completamente em obras, o que nos dificultou a busca. Depois de perguntarmos a 3 ou 4 pessoas lá demos com a rua principal da Medina onde encontraríamos à direita a travessa onde se encontrava o Riad Dar Saidi. Quando chegamos à porta nem queríamos acreditar! Parecia uma imagem tirada de um filme de guerra, com a rua sem pavimentação e cheia de lixo. Acho que todos pensamos o mesmo "só espero que lá dentro não tenha nada a ver com isto...". E não tinha. Felizmente!
Ao contrário do combinado, não tínhamos dois quartos à nossa espera, mas um com apenas uma casa de banho. Ora, quando há homens e mulher juntos a logística dos banhos e trocas de roupa complica-se... e uma casa de banho para todos não era o ideal. Tentámos que nos arranjassem outra solução, pois o erro tinha sido deles, mas em vão, todos os quartos estavam ocupados. Para se desculparem ofereceram-nos o pequeno almoço, que excepcionalmente nesta estadia não tínhamos incluído. Ainda era cedo para o check in então limitamo-nos a trocar de roupa na recepção e deixar lá as mochilas e ir a Casablanca almoçar.

Em 1:15 estávamos a sair na estação de Casablanca e a perceber que não era só Rabat que estava de pernas para o ar com tantas obras. Aproveitamos a viagem de comboio para escolher um restaurante de peixe onde almoçar, em Marrocos tem que se aproveitar as cidades costeiras para comer peixe. E tanta falta nos fez!
Andamos meio à deriva no porto de mar, para a frente e para trás, à procura do Restaurante Port de Peche e confesso que já estava irritada porque não conseguíamos o encontrar. Finalmente encontramo-lo! Rapidamente a felicidade do encontro passou a desolamento por termos chegado 15 minutos depois de a cozinha fechar. Acabamos por comer na tasca do lado umas mini sardinhas (que para quem aprecia estavam boas) e uma omelete de entrada. Desta vez, nem talheres, nem guardanapos... foi o verdadeiro almoço à marroquino. Era ver-nos no final a esfregar as mãos com as rodelas de limão que sobraram...







Posto o almoço passamos no Rick's Café (que estava fechado) e para incultos como eu é o café onde foi rodado o filme Casablanca. O café é muito famoso, mas aquela envolvência urbana não abona nada a seu favor: o porto, os bairros tipo favela, as obras... Tiramos a foto da praxe e fugimos de um autocarro de chineses que acabara de abrir portas. Literalmente fugimos!
Seguimos caminho para a Mesquita Hassan II, o templo mais alto do mundo e o segundo maior (a seguir à Mesquita de Meca). É das poucas Mesquitas mundiais que permite a entrada de não-muçulmanos. Mas, como o dia não nos estava a correr de feição, à hora que lá chegamos já não podíamos entrar pois ia haver reza. 
Fica a dica: visitar a Mesquita Hassan II da parte da manhã.
Aqui sim, o espaço era muito bonito, com o oceano a perder de vista e os milhares de lindos azulejos e padrões por todos o lado. Foi difícil tirar fotografias sem andaimes ou objetos das obras, mas acho que pelo menos duas fotos se salvam. Não nos demoramos muito tempo por lá, porque o vento estava insuportável.









Rumamos à medina e sinceramente o caminho até lá foi o mais emocionante que vi em Casablanca. Misturamo-nos com os locais (e éramos mesmo os únicos turistas) no meio de um mercado de rua, com muitos animais, hortaliças, peixe, muito lixo, muito barulho, mas absolutamente genuíno. E não senti que nos olhassem de lado. Aliás, foi a primeira vez que ouvi, diretamente para nós: 
Bienvenue, Welcome e Bienvenidos!





Ainda que as ruas fossem estreitas e escuras (atentem que o bom tempo não quis nada connosco) e as pessoas com aspeto esquisito, fizeram com que nos sentíssemos em segurança e bem vindos numa terra estranha.

Depois de atravessarmos a medina, termos comprado fruta para os próximos dias e palmières deliciosos a 10cêntimos, chegamos ao trânsito caótico de Casablanca. Passar a estrada numa passadeira com semáforos pareceu-me a coisa mais difícil do mundo. As regras simplesmente não existem e acho que isso tira beleza a qualquer cidade. Decidimos então voltar a Rabat, pois tínhamos feito check em tudo o que queríamos ver.

Resumindo: Casablanca não me fascinou. Não a achei bonita. Talvez quando as obras acabem as coisas se tornem um pouco melhores. 
Depois de Chefchaouen fica difícil gostar de qualquer coisa...


Alguém conhece Casablanca? Têm a mesma opinião que eu, ou tive azar?
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Alojamento: Riad Dar Saidi - 40€ por pessoa
Comboio Rabat - Casablanca (ida e volta): 4€ por pessoa - 1:15h

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Marrocos [parte 3]

Dia 2

O segundo dia em Chefchaouen foi passado fora da cidade. Tinhamos lido no Lonely Planet que a 1h de caminho (de carro) poderíamos visitar as Cascatas d'Akchour e a God's Bridge, uma ponte natural. Desde a povoação de Akchour caminharíamos para um lado cerca de 4h (ida e volta) para ver as cascatas ou 1,5h (ida e volta) para a Ponte. 
Lemos muitos comentários sobre estes locais, pelo que decidimos que primeiro iríamos às cascatas e depois, caso sobrasse tempo à ponte. Sabiamos que como era domingo havia possibilidade de haver sobrelotação de locals, o que se viria a comprovar...
Combinamos previamente com o nosso amigo um gran táxi para nos levar a Arkchour (sempre com o acordo prévio do valor da viagem) e bem cedo depois do pequeno almoço maravilhoso, servido no terraço, lá fomos. O tradicional: chá, panquecas marroquinas, sumo de laranja, pão, queijo fresco e doces.


O condutor convenceu-nos numa linguagem difícil de entender que ele viria de novo ao final da tarde para nos buscar. E ainda bem porque de outra forma seria muito difícil (e caro) o regresso. Mal chegamos, percebemos que o domingo é um dia péssimo para este tipo de atividades. Os marroquinos ao domingo juntam-se (novos e velhos, famílias e amigos) e basicamente fazem pic-nics na natureza. Levam batuques e outros instrumentos e vão a cantar enquanto sobem a montanha. Durante as duas horas de subida fomo-nos desviando das manadas que nos obstruíam o caminho e nos faziam ir literalmente "a pastar". Sempre que o caminho apertava ou tínhamos de passar o riacho (passámo-lo umas 7 vezes) a coisa complicava-se. Por vezes as pontes eram meros troncos de árvores, que só permitiam a passagem num sentido e entupiam o trânsito pedestre. Os tempos de espera foram muito chatos. Acredito que num dia de semana tudo seria mais tranquilo. As paisagens são lindas, amplas e verdejantes! Quem diria que Marrocos é tão verde! Eu tinha uma ideia completamente errada deste país.



Atentem bem neste vídeo. O meu desespero quando o rapaz que estava a ajudar a passar se vai embora antes de eu passar 😂😂😂


Depois de muito subir [e eu que achava que estava em forma] as minhas pernas já só se queriam atirar para o chão! Finalmente chegamos às cascatas! Que imagem linda! Não que seja gigante, mas a envolvência era toda muito bonita. Ficamos ainda algum tempo a contemplá-las.




 Quando chegamos de novo cá abaixo eram 16h. Não tinhamos almoçado e já não dava tempo para ir à God's Bridge. Decidimos comer num dos locais improvisados na beira da estrada e tivemos uma refeição maravilhosa, servida por um senhor que apenas falava árabe, mas que fez de tudo para nos agradar (desde os talheres, aos toalhetes de papel, aos guardanapos... sim que isso são coisas de turista...). Pagamos muito pouco por esta refeição. Rondou os 5€ por pessoa. Mais uma vez comemos tajine, o prato mais típico de Marrocos [que é basicamente um guisado de carne e legumes, feito nas tajines de barro, no carvão, com cozedura muito lenta]. Sempre acompanhado com pão, azeitonas e chá de menta.



 Passava um pouco das 18h e já achávamos que o taxista não viria, que o tínhamos entendido mal e iríamos ficar lá "para a semente". Quase já em desespero, eis que avistamos o senhor e começamos logo a esbracejar. 
Chegamos a Chefchaouen e era quase hora de jantar. Andamos o dia inteiro a pensar no couscous que encomendamos no restaurante do dia anterior. Disseram-nos que demorava 4h a ser elaborado... Azar dos azares, chegamos ao restaurante e apercebemo-nos que se tinham esquecido da nossa reserva. Pediram-nos tantas desculpas que acho que ainda fomos mais bem servidos que no dia anterior, numa mesa mais recatada e com o empregado sempre a vir ver se estava tudo bem e não precisávamos de mais nada.
Enquanto jantávamos caíram as primeiras chuvadas da viagem.


Tajines, guisados, humus de ervilhas, salada marroquina, sumos de laranja, azeitonas... A comida marroquina é boa, mas muito pouco variada. Ao fim de uns dias uma pessoa enjoa.

O dia seguinte ia começar cedo. 
Ao contrário da primeira noite aqui, não acordei com o chamamento para a reza, tal era o cansaço provocado pela subida às cascatas. 
Às 8h partia o autocarro com destino a Rabat, logo o pequeno almoço foi-nos servido às 7h, excepcionalmente a nosso pedido. Nunca subi tantas escadas e tão rápido, com o pequeno almoço aos saltos no estômago, uma mochila às costas e outra ao peito. Temi pela minha vida.
Felizmente o esforço compensou e chegamos a tempo de apanhar o autocarro.
Deixávamos para trás uma das cidades mais bonitas de Marrocos.

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Viagem de autocarro: empresa Supratours - 12€* por pessoa (Chefchaouen - Rabat - 4:30h)
* foi-nos cobrado no dia um suplemento pelas malas. Não me lembro quanto foi, mas também não foi nada de astronómico.

terça-feira, 8 de maio de 2018

Marrocos [parte 2]


Dia 1

Depois de quase 3h de viagem fomos deixados onde pensávamos ser a Porta da Medina Bab el Maharoc (Porta Queimada), local onde nos encontraríamos com a pessoa que nos ia receber na Casa la Palma. Depois de alguns telefonemas, em inglês, percebemos que não estávamos na porta certa e que também não estávamos a conseguir ser entendidos. Meia hora após termos chegado, decidimos aventurar-nos pela Medina e tentar chegar ao hostel. Estávamos tão carregados! Trazíamos roupa quente demais para o sol que fazia e nos batia de chapa visto ser hora do almoço. Subimos muito, quais burros de carga (nunca uma expressão viria a ter tanto significado como nesta viagem), deslumbrados pela cidade azul. Fomos vendo os recantos que havíamos visto espalhados pela internet sempre que a palavra de pesquisa era Chefchaouen.
Gostava de ter contado o número de degraus que subi durante a estadia nesta cidade. Brincávamos dizendo que estavamos a trabalhar pernas e glúteos, mal sabíamos o que ainda estava para vir...
Chegados ao hostel percebemos que o "nosso amigo" falava espanhol e não inglês. Daí a dificuldade de entendimento. Foi-nos servido um chá e uns bolinhos, que mais tarde percebemos que é o modo de nos darem as boas vindas. Estávamos tão exaustos que veio mesmo a calhar. Feito o check-in seguimos para os quartos. Um duplo e um triplo, com i.s. privativa. Ficou combinada a hora do pequeno almoço no terraço, que como estava bem no alto da Medina tinha um vista brutal, e ainda nos foram dadas algumas dicas de onde comer, o que ver, onde ir. É sempre bom ter uma ideia prévia (lemos o guia do Lonely Planet de fio a pavio) mas as dicas dadas pelos locais complementam sempre a experiência.







Como era hora de almoço, seguimos a orientação do amigo marroquino e procuramos um restaurante menos turístico que ele nos indicou o Beldi Bab Ssour, que literalmente adoramos e por isso decidimos que o jantar da noite seguinte também seria lá, para podermos provar o couscous que só podia ser comido com reserva prévia. O atendimento foi excelente, a comida também e no final deu menos de 10€ a cada um. Depois de almoço deambulamos pelas ruas da Medina, para fazer tempo para entrarmos no Kasbah que só abriu às 16h, se não me engano. De repente diz uma das minhas amigas "olhem, aquela ali não é a Débora?", e não é que era mesmo outra amiga nossa?! Incrível que não a via há longos meses em Lisboa e fomo-nos encontrar ali! Na verdade a cidade é tão pequena que nos encontramos mais umas 4 vezes no mesmo dia.
Vistas da Kasbah:



A partir deste momento começamos a ser perseguidos pelo mau tempo, um pouco por todas as cidades onde fomos...
Depois da Kasbah seguimos para umas cascatas (nada de especial e cheias de locals...) que ficavam no caminho para a Mesquita Espanhola, que se situa no cimo de um monte oposto à Medina e de onde se pode ser um pôr do sol muito bonito. Chegamos lá, sempre a subir, mas havia tantas nuvens que não houve pôr do sol em condições. Mas houve fotos muito, muito bonitas.


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Hotel: Casa la Palma - 22€ por pessoa
Restaurante: Beldi Bab Ssour - menos de 10€ por pessoa

p.s. - trouxe um lindo marcador de livros daqui.